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quarta-feira, 21 de março de 2012

Aventuras de uma filha no quarto dos pais (Eliane Brum)


Uma reflexão sobre o lugar dos afetos e a anatomia da família

Até a noite da quarta-feira passada, para mim eram três os grandes mistérios do universo: a existência da “partícula de Deus”, se Capitu traiu ou não Bentinho, o paradeiro dos ossos de Ulysses Guimarães. De repente, tudo mudou. 
E eu descobri que havia apenas um mistério sobre o qual valia a pena me debruçar. 
E não apenas isso, que este era todo o mistério possível desde que me tornei uma bípede precoce e tresloucada, batendo a cabeça pelas paredes do apartamento da família, aos nove meses de vida. 
Aconteceu como costumam acontecer os grandes acontecimentos. Sem anúncios do Banco Central, sem qualquer menção no calendário maia. Só eu e a minha solidão diante do universo insondável. 

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