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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sobre o Big Brother

Vou fazer um exercício de honestidade comigo mesmo.

Nos últimos anos me juntei ao time dos críticos do programa, me baseando em diversas amostras de futilidade, de conteúdo vazio e de narcisismo e vaidade excessivamente exibidos no mesmo.

Lembro-me de ter me interessado bastante pela primeira edição e até ter gostado de muitas coisas, mas logo fiquei um tanto entediado com a mesmice dos assuntos (véspera de paredão é um horror!) e também incomodado com a linha da produção de estimular muito a sombra dos participantes, e o lado negativo de cada um, para gerar conflitos e as polêmicas tão endeusadas hoje em dia, como criadoras e mantenedores de audiência.

Já cheguei a brigar comigo mesmo por estar assistindo uma coisa que não gosto (sabe aquela pergunta: Mas, o que que eu estou fazendo aqui assistindo isso?").

Porém, na edição atual, acabei, por falta de opção e grana, assistindo algumas vezes, e me peguei gostando....até com um pouco de vergonha...?!?

Da mesma maneira que, quando criança, eu gostava de uma ou outra música do...(ai meu Deus...confessei..) Menudo, mas só ouvia escondido, porque imagina, eu, Homem (com 9,10 anos...kkkkkk) não posso gostar dessas músicas.
Mas gostava!

Agora também estou gostando de assistir ao BBB.

Senti que as pessoas realmente ficaram num clima de amizade melhor que das vezes anteriores; tem umas cenas que são muito engraçadas, por exemplo, o Rafinha sendo seduzido pela Natália ou Juliana e tentando se "proteger" com a foto da namorada e o Marcão dando risada....é impagável, me trouxe à tona meu lado moleque, de falar bobagem com os amigos, esse clima, enfim.

Resolvi então 2 coisas, talvez para me convencer de que, poxa, não tem nada de errado em gostar do BBB, pô!

Primeira: ver o lado positivo das situações e das pessoas, numa espécie de treinamento para as minhas próprias relações, ou seja, parar de ver só a coisa ruim, o lado ruim disso e daquilo e daquilo outro e enxergar o bom.

Segunda: me colocar na situação dos participantes. Porque é muito fácil sentado no sofá eu ficar julgando este ou aquele comportamento, e "achando" que eu faria diferente, que eu teria uma atitude melhor e coisa e tal.

De fora, nossas atitudes sempre são melhores, mas quando somos nós que estamos dentro de uma determinada situação, aí a coisa às vezes toma um rumo diferente.
De fora sempre resolvemos os problemas das pessoas e do mundo.
Mas de dentro das situações, envolvidos com as emoções múltiplas que emergem diante dos vários estímulos externos e as consequentes reações internas, somos capazes muitas vezes de ter um comportamento completamente diferente do que julgaríamos adequado.

É isso, um pequeno exorcismo num preconceito pseudo-intelectual.
Acho que o BBB vale, sim, como um espelho para todos nós.

3 comentários:

Anônimo disse...

olá caro futuro jornalista, a princípio gostei muito do texto, com esplicações claras e bem objetivas. Apenas (eu) ainda tenho muitas dúvidas em relação ao "Big Bode", no sentido de o que traz de bom, ou seja em que ele contribui para o nosso dia-a-dia. Apenas isso!
Beijos e parabéns!

Carolina disse...

Caro jornalista, gostei muito do seu texto, principalmente por que me fez pensar sobre o BBB...tenho opiniões antagônicas sobre o programa, pois ao mesmo tempo em que ele se torna interessante por ser uma análise do psique humano e principalmente do seu comportamento como indivíduo inserido em uma sociedade ele também é a descrição de um mundo, um tanto sem sentido, onde algumas "falta de qualidades" viram qualidades...Mais na minha opinião o grande problema desse programa é que ele mostra ao vivo e a cores o que não deveria ser mostrado...não que eu seja puritana ... mais alguns valores morais e éticos não devem ser burlados, por que se não daqui a algum tempo nossos filhos não poderão assistir mais TV.

Carlos Durães disse...

Carolina,

Em primeiro lugar, quero agradecer seu comentário.

E pedir, se puder, a chance de também acompanhar tuas palavras.

Não sou um fã do BBB. Não assisto todos os dias.

Percebo vários fatores negativos no Programa.

Mas, meio sem querer, por falta de opção, me vi assistindo mais do que habitualmente o faria, e me vi gostando de muitos aspectos. Daí resolvi aceitar que gosto e tentar entender (só um pouco...) os motivos.


Ninguém, na minha visão, é 100% do Bem, 100% honesto, 100% íntegro. E nem o contrário. Não existe 100%, eu acho. Cem por cento é um norte, um sinal do caminho a percorrer. Ninguém é 100% desonesto, ou sem caráter ou do Mal.

Acredito que as opiniões que tenho a respeito da conduta deste ou daquele participante me revelam algo que existe no meu cotidiano, como classifico, julgo meus amigos, as pessoas com que tenho algum tipo de relação.

Sem entrar na questão religiosa do “não julgar”, que julgo(!) ser impossível, a não ser depois de muita meditação, que não é um atividade que pratico, esta edição tem me mostrado que o julgamento que fazemos de qualquer coisa, pode ser equivocado, principalmente em se tratando de seres humanos.

Só podemos avaliar com sabedoria, se nos colocarmos realmente no lugar da pessoa, sentir o que ela sente, com suas ansiedades, necessidades, carências, ambições, etc.

Penso que tudo depende, realmente de como vemos, ou melhor, como decidimos ver alguma coisa.

Se os próprios participantes usarem de alguma forma, tudo que acontece com eles para o auto-conhecimento, sinto que eles têm um material riquíssimo em mãos.
Mas pra isso, precisam sair, assim como todos nós precisamos, do papel de vítima e do auto-engano. Do “ah, isso aconteceu, porque fulano fez isso”, transferindo responsabilidades ou de outro modo: “ah, eu fui eliminado porque fui sincero demais”, que é uma armadilha quase irresistível, mas vã, de ficar bem na foto.

E nós, o público, também podemos ter um produto campeão de futilidade, ou um produto que, de alguma forma, possa despertar em nós uma auto-avaliação, um exercício de se colocar no lugar do outro. Acredito mesmo que possa ser um produto que nos ajude a observar melhor nossos pensamentos e reações, servindo assim a um propósito maior do que parece, a princípio.

Estou dizendo que a interpretação que cada um tem do conteúdo do programa o define mais do que os próprios autores, não é interessante? Ou será loucura da minha cabeça...rs?



Lógico que a Globo e as outras mídias que vendem o produto, não tem essa objetivo, de proporcionar auto-conhecimento às pessoas. O objetivo é bem claro, dinheiro para ela, dinheiro para os participantes, entretenimento (super discutível, é claro) para os telespectadores.

Quanto ao fato que você citou, de serem mostradas coisas que não são indicadas para crianças, isso, até na qualidade de pai, estou absolutamente de acordo.
O BBB pra mim é um programa que deveria ser transmitido a partir da meia-noite, algo assim.

A título de exemplo, permita-me comentar uma questão que me irrita bastante, mas que me serve como espelho de minhas atitudes: Sempre que há uma eliminação, na hora em que uma pessoa está dando adeus ao seu sonho, a outra, que ficou na casa, comemora histérica e alucinadamente, o que para mim, concluí ser meio falta de educação, de respeito com o colega.

Do meu sofá, fico sempre pensando: pôxa, porque a pessoa não espera a outra sair e aí sim, berre, grite, esperneie, exploda, enfim, faça a sua comemoração legítima sem ferir ainda mais alguém que está em baixa, do seu lado, e ainda mais, aqueles que são mais próximos a esta pessoa, dentro da casa.

Mas, se eu observar, talvez já tenha feito a mesma coisa em outras circunstâncias. Então, o que as atitudes e comportamentos dos Brothers me fazem refletir, acabam ajudando a entender as minhas próprias.


Gostaria bastante de saber a tua opinião...